Se o
dia tem 24 horas em que momento, destas, tenho um encontro marcado com a minha
pessoa? Qual hora está marcada este evento comigo mesmo, “um eu a mim”. Estamos
rodeados de apelos visuais e sonoros, estamos repletos de compromissos, vivendo
a máxima “o tempo não para”. Verdade, ele não para quem tem que parar somos
nós. E exercitar o mergulho do nosso íntimo, lá onde está o nosso Tesouro.
E
mais, as prateleiras das livrarias e as lojas virtuais estão repletas de livro
de auto-ajuda nos ensinando como criar nossos filhos, como enriquecer, como
salvar o casamento e por aí vai. E fazem um sucesso tremendo, e como não
poderiam fazer se delegamos ao mundo externo o eco de nossas almas. Hoje me
parece que vivemos a cultura da terceirização: Educação, diálogo, estudos,
companhia, relacionamentos, cuidados com os filhos, afetividade, consciência,
discernimento, aconselhamento e por aí vai.
Penso
eu que, talvez, buscamos fora o que está dentro. Ouvimos o eco de quem nos fala
dentro no lado de fora. Delegamos aos outros um caminho particular que é nosso,
pelo simples fato de termos perdido a intimidade com a nossa própria pessoa.
Estamos comprometidos com tudo e com todos. Vamos a todos os lugares e queremos
conhecer cada vez mais lugares novos. Porém, esquecemos de adentrar e de conhecer
o lugar mais importante, o mais profundo de nós mesmos. Como resultado disto,
nos sentimos, embora em meio a uma multidão de pessoas e coisas, vazios,
perdidos, sozinhos e talvez abandonados.
Por
mais que, acreditemos que teremos e encontraremos as respostas para nossa
solidão ou inquietações no mundo, não as teremos sem ter feito a viagem mais
importante de nossas vidas, uma viagem que tenha como destino o centro de nós
mesmo, ou como diria Santa Tereza de Jesus, o nosso castelo interior. Se não fizermos
um tour neste castelo interior que é rico de moradas e não dermos um mergulho
profundo no centro deste castelo onde habita o mais intimo de nós, talvez,
passaremos pelo mundo sem nunca termos feito a experiência mais profunda e
edificante de nossa vida, sem ter conhecido nossa verdadeira Essência, sem
ouvir o eco da verdade. Lá onde as ideologias silenciam, onde os medos e
desejos se calam. Lá onde a turbulência nada é mais que um vento novo e acolhedor.
Onde a noite é sempre dia e as inquietações se acalmam e onde o mar, antes
agitado, se torna manso e belo.
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| "A paz que eu sempre quis, estava no silêncio que eu nunca fiz. E de repente uma brisa mansa abriu meu coração mergulhei nesse amor de Deus". |
Logo,
se desejo ser uma pessoa inteira, realizada e feliz. Se desejo saber pra onde
ir, como agir e quais caminhos e verdades seguir, devo, sobretudo, começar o
itinerário do crescimento dentro do mais profundo eu, para que, estando
intimamente unida a mim, a minha Essência, possa me relacionar com o mundo e
com o outro inteira e em posse da minha totalidade, enquanto pessoa, pois, se
me aventuro a me lançar no mundo e no outro com as lacunas de minha inteireza
expostas, me coloco em estado de vulnerabilidade e me coloco em situações de
risco, onde, talvez, traia a mim mesma por falta de intimidade comigo mesmo.
Inegavelmente
que estamos sempre em estado de formação, visto que, somos obras em acabamento,
a caminho do fim. Porém, isto não quer dizer que, me tornarei mais sábia quanto
mais absorver do mundo. Não, a minha sabedoria provém deste encontro na minha
intimidade no mais profundo do eu. Ela se manifesta no silêncio que fazemos
para entrar em diálogo conosco, pois, lá reside a fonte da sabedoria. Neste
silêncio escuto o reflexo daquilo que essencialmente sou e deixo de escutar
aquilo que penso que sou. Portanto, passo a escutar as verdades e silencio as
falsas verdades. Mas, para isto é necessário coragem.
No
entanto, passar a vida toda na periferia de nós mesmos, nos dá uma falsa
sensação de ter chegado onde nunca será o fim. A falsa idéia de pertença e
liberdade, se nem ao menos nos conhecemos enquanto Essência e totalidade.
Talvez, passaremos a vida toda acreditando que andamos por conta própria,
quando na verdade usamos bengalas sem nem ao menos nos dar conta disto. E
muitas são as bengalas que pensamos ser independência; muitas são as correntes
que acreditamos ser carta de alforria.
"Ser livre é dominar-se."
São João Paulo II.
Com amor,
Maria Amelia Aguiar.

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ResponderExcluirNo entanto, passar a vida toda na periferia de nós mesmos, nos dá uma falsa sensação de ter chegado onde nunca será o fim.
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