Onde, como e quando me encontro comigo mesmo?


Resultado de imagem para castelo interior ou moradas      Trim trim. bibi bibi...zap zap..e-mail e-mail...música música...alô som alô som...meu Deus meu Deus...bang bang bang...buá buá...eu quero eu quero eu quero...loucura loucura loucura.

    Se o dia tem 24 horas em que momento, destas, tenho um encontro marcado com a minha pessoa? Qual hora está marcada este evento comigo mesmo, “um eu a mim”. Estamos rodeados de apelos visuais e sonoros, estamos repletos de compromissos, vivendo a máxima “o tempo não para”. Verdade, ele não para quem tem que parar somos nós. E exercitar o mergulho do nosso íntimo, lá onde está o nosso Tesouro.
    
     E mais, as prateleiras das livrarias e as lojas virtuais estão repletas de livro de auto-ajuda nos ensinando como criar nossos filhos, como enriquecer, como salvar o casamento e por aí vai. E fazem um sucesso tremendo, e como não poderiam fazer se delegamos ao mundo externo o eco de nossas almas. Hoje me parece que vivemos a cultura da terceirização: Educação, diálogo, estudos, companhia, relacionamentos, cuidados com os filhos, afetividade, consciência, discernimento, aconselhamento e por aí vai.

     Penso eu que, talvez, buscamos fora o que está dentro. Ouvimos o eco de quem nos fala dentro no lado de fora. Delegamos aos outros um caminho particular que é nosso, pelo simples fato de termos perdido a intimidade com a nossa própria pessoa. Estamos comprometidos com tudo e com todos. Vamos a todos os lugares e queremos conhecer cada vez mais lugares novos. Porém, esquecemos de adentrar e de conhecer o lugar mais importante, o mais profundo de nós mesmos. Como resultado disto, nos sentimos, embora em meio a uma multidão de pessoas e coisas, vazios, perdidos, sozinhos e talvez abandonados.

   Por mais que, acreditemos que teremos e encontraremos as respostas para nossa solidão ou inquietações no mundo, não as teremos sem ter feito a viagem mais importante de nossas vidas, uma viagem que tenha como destino o centro de nós mesmo, ou como diria Santa Tereza de Jesus, o nosso castelo interior. Se não fizermos um tour neste castelo interior que é rico de moradas e não dermos um mergulho profundo no centro deste castelo onde habita o mais intimo de nós, talvez, passaremos pelo mundo sem nunca termos feito a experiência mais profunda e edificante de nossa vida, sem ter conhecido nossa verdadeira Essência, sem ouvir o eco da verdade. Lá onde as ideologias silenciam, onde os medos e desejos se calam. Lá onde a turbulência nada é mais que um vento novo e acolhedor. Onde a noite é sempre dia e as inquietações se acalmam e onde o mar, antes agitado, se torna manso e belo.

"A paz que eu sempre quis, estava no silêncio que eu nunca fiz. E de repente uma brisa mansa abriu meu coração mergulhei nesse amor de Deus".
   
     Logo, se desejo ser uma pessoa inteira, realizada e feliz. Se desejo saber pra onde ir, como agir e quais caminhos e verdades seguir, devo, sobretudo, começar o itinerário do crescimento dentro do mais profundo eu, para que, estando intimamente unida a mim, a minha Essência, possa me relacionar com o mundo e com o outro inteira e em posse da minha totalidade, enquanto pessoa, pois, se me aventuro a me lançar no mundo e no outro com as lacunas de minha inteireza expostas, me coloco em estado de vulnerabilidade e me coloco em situações de risco, onde, talvez, traia a mim mesma por falta de intimidade comigo mesmo.

    Inegavelmente que estamos sempre em estado de formação, visto que, somos obras em acabamento, a caminho do fim. Porém, isto não quer dizer que, me tornarei mais sábia quanto mais absorver do mundo. Não, a minha sabedoria provém deste encontro na minha intimidade no mais profundo do eu. Ela se manifesta no silêncio que fazemos para entrar em diálogo conosco, pois, lá reside a fonte da sabedoria. Neste silêncio escuto o reflexo daquilo que essencialmente sou e deixo de escutar aquilo que penso que sou. Portanto, passo a escutar as verdades e silencio as falsas verdades. Mas, para isto é necessário coragem.

  No entanto, passar a vida toda na periferia de nós mesmos, nos dá uma falsa sensação de ter chegado onde nunca será o fim. A falsa idéia de pertença e liberdade, se nem ao menos nos conhecemos enquanto Essência e totalidade. Talvez, passaremos a vida toda acreditando que andamos por conta própria, quando na verdade usamos bengalas sem nem ao menos nos dar conta disto. E muitas são as bengalas que pensamos ser independência; muitas são as correntes que acreditamos ser carta de alforria.



"Ser livre é dominar-se."
São João Paulo II.


Com amor,
Maria Amelia Aguiar.

Comentários

  1. ...
    No entanto, passar a vida toda na periferia de nós mesmos, nos dá uma falsa sensação de ter chegado onde nunca será o fim.
    ...

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