"Onde iremos parar se
continuar assim? É só o que se ouve todo mundo falar. Existe a violência,
escândalo e tanto mal. Onde é que estão os grandes ideais (...)".
Há algum tempo tenho deixado de
assistir jornais, procurando apenas ver as noticias pela internet. Muito por
conta de uma massificação de noticias tristes, violentas e muito por conta de
preservar meus filhos, isso não quer dizer que escolho educá-los de forma
alienada, de forma alguma. Apenas escolho dá a informação segundo a maturidade
de cada um, e com argumentações mais profundas que a superfície noticiada.
Procuro usar a informação para uma educação, sobretudo, uma educação voltada
para o amor, para a fraternidade universal. Pelo mesmo motivo deixei de
acompanhar novelas, e certos programas, a fim de salvaguardar a mim, aos meus
filhos e minha família.
Certamente que, mesmo
selecionando os artigos e notícias, nos deparamos com fatos que nos chocam devido
à complexidade que este está inserido, ou o qual este é fruto. Um desses é o
caso do menino sírio que virou símbolo de uma decadência da capacidade humana
de amar, de acolher e de ir além das próprias necessidades, ideologias e
interesses particulares e/ou segregados. Como esta criança várias outras,
infelizmente, são o retrato e fruto de tal abortamento feito pela sociedade,
pela humanidade.
Sob o mesmo ponto de vista do
aborto do nascituro, também aqui existe um abortamento coletivo ou segregado,
pois, há interrupção precoce de vidas e de um futuro. Há também, em ambos, uma
semelhança, embora fatos diferentes. E qual a semelhança? A semelhança está no
fato de que, ambos, são motivados pela existência de uma razão pessoal que
justifique a ação.
Provavelmente, você que é a favor
do aborto e que estiver lendo esta postagem agora, irá dizer que uma coisa não
tem nada haver com a outra. Ou se for um ladrão e estiver lendo, vai dizer que
seus atos não estão interligados a estes fatos. Ou você que está lendo for
corrupto, ou pedófilo ou um estuprador deverá, também, achar que um fato não
está ligado ao outro. Ou qualquer um de nós que estiver, neste momento, lendo
dirá que não endossa a relação entre estes fatos.
De certo que, estes exemplos
dados são um tanto quanto fortes, porém, é o ápice de uma sociedade indiferente
às necessidades do outro. São consequências de escolhas centradas em nossa
própria necessidade e/ou desejos. É, quase sempre, a necessidade e razão pessoal
que justifica nossas escolhas e estas permeiam nossas ações. Por exemplo: Tenho
direito a abortar porque o corpo é meu... Não vamos receber mais imigrantes/refugiados,
porque do ponto de vista territorial estes não são nossa responsabilidade e não
nos pertencem. Ou ainda sob esta ótica: quero dinheiro, carro, luxo... Sinto-me
no direito de roubar, “pegar” do outro. Por que não? O importante é atender as
minhas “necessidades”, ou seriam minhas vontades? Ou seja, a centralidade da
ação está sempre em nós mesmos. Seja nas pequenas ações, ou nas grandes, quando
ambas são centradas em si mesmo há, sempre, o abortamento do bem comum, da
vida, ou seja, o abortamento do outro. Por consequência o aborto da humanidade.
No entanto, existe uma humanidade
humana, pronta para dar a vida pelos que precisam. Existem pessoas que são
capazes de se colocarem no lugar do outro ao ponto de atender as necessidades
destes. Há uma floresta no mundo, onde a fraternidade universal e a consciência
de que somos, todos, partes de uma única família: a família humana, onde sabemos
que, embora diferentes, somos iguais. Somos iguais em necessidades, em
dignidade e em responsabilidades. Esta floresta de pessoas, que vivem a vida
para a construção de uma fraternidade universal. Onde, possamos olhar a todos
como parte de quem somos e da minha família, portanto, responsabilidade minha. Faz-se
necessário e urgente entender que, nossas escolhas e ações estão intimamente
ligadas à vida do outro.
Com certeza que, a partir do
momento que sejamos capazes de enxergar as necessidades dos outros e tê-las
como nossas, estaremos, somente desta forma, sendo protagonista de um mundo
diferente, de um mundo novo. Estaremos desta forma, sendo construtores da paz
mundial. Até lá, continuaremos nos chocando com guerras, mortes e de fotos e
fatos como estes. Se não for capaz de mudar a mim mesma, não serei capaz de
mudar o mundo ou a minha família, ou a minha parte da sociedade. Se assim não o
fizermos, seremos, sempre, meros espectadores chocados e alienados. A informação
não nos intelectualiza, mas, o que fazemos com ela é que determina quem
seremos. Mas, para que isso aconteça é preciso uma base.
Portanto, comecemos a mudar o
mundo pela educação que damos aos nossos filhos. Não furtemos deles a
capacidade e habilidade de se colocarem no lugar do outro. Não furtemos deles a
consciência de que são responsáveis pelo bem comum. Não os iludamos com a ideia
de que são os donos do mundo, dos empregados, de que se pagam podem tudo. Não alienemos
nossos filhos com a ideologia que as leis nos servem e que somos,
exclusivamente, detentores de direitos. Não os alienemos a acharem que o
dinheiro garante a eles direitos e propriedade sobre tudo e todos. Não os
iludamos com a ideia de que são superiores, ou que os outros são inferiores por
condição social, raça, cor, sexo, religião, time de futebol, seja, qual for nossas
diferenças. O outro deve ser sempre mais importante que nossas diferenças. Salvar
a vida do outro deve ser sempre superior as nossas razões pessoais. A vida é,
portanto, dom de Deus, seja em que estágio ela esteja, será sempre dom divino e
salvaguardar ela é, sobretudo, vontade de Deus. Salvar a vida é, também, salvar
a humanidade.
"É certo, o mundo hoje vive um tempo escuro; Exalta-se o erro e a notícia crua e dura;
Sucesso e dinheiro se conquista a qualquer preço.
Porém, eu lhes garanto, não existe só esta humanidade.
Conheço outra humanidade, Aquela que encontro sempre pelas ruas, Aquela que não grita, aquela que não explora Sua gente pra tirar proveito. Conheço outra humanidade,
Aquela que não sabe roubar pra ter, Mas que se contenta em ganhar o pão com o seu suor.
Creio, creio nesta humanidade. Creio, creio nesta humanidade.
Que vive no silêncio, ainda é humilde, Ainda se desculpa e se faz criança.
Esta é a humanidade que me dá esperança".
Sucesso e dinheiro se conquista a qualquer preço.
Porém, eu lhes garanto, não existe só esta humanidade.
Conheço outra humanidade, Aquela que encontro sempre pelas ruas, Aquela que não grita, aquela que não explora Sua gente pra tirar proveito. Conheço outra humanidade,
Aquela que não sabe roubar pra ter, Mas que se contenta em ganhar o pão com o seu suor.
Creio, creio nesta humanidade. Creio, creio nesta humanidade.
Que vive no silêncio, ainda é humilde, Ainda se desculpa e se faz criança.
Esta é a humanidade que me dá esperança".
Unida nesta reflexão,
Maria Amelia Aguiar.

(...) Portanto, comecemos a mudar o mundo pela educação que damos aos nossos filhos. Não furtemos deles a capacidade e habilidade de se colocarem no lugar do outro. Não furtemos(...).
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