Eis o lenho da Cruz...Demos graças a Deus!

   
Hoje às 15 horas reviveremos a crucificação de Cristo, portanto, lembremos hoje das nossas cruzes para carregá-las juntamente com Cristo aliviando Seu sofrimento e tornando a cruz d'Ele mais leve, pois, ali na cruz que Ele carregou já estavam, misticamente, inseridos todos os pecado e dores de toda a humanidade, inclusive o seu que está lendo esta postagem neste exato momento. Sejamos , portanto, o amor que carrega a cruz de Cristo. O amor que suaviza Suas dores e suas chagas. O amor que limpa Seu sangue. O amor que amando diminui Suas dores e as dores da humanidade.
   Mas, como seremos este amor capaz de diminuir a dor de Cristo?
  Amando por primeiro da mesma forma que Cristo nos amou. Alimentando a alma faminta de Cristo do irmão ao lado. Sejamos, sobretudo, esse amor capaz de transformar a vida do outro. Sejamos esse amor que amando morre a si mesmo para permitir que Cristo viva em nós e vivo em nós seja capaz de incomodar a alma do outro, que seja capaz de inquietar a alma dos famintos e sedentos d'Ele. Sejamos o amor que morrendo o nosso EU, seja capaz de ser canal de Amor e de Cristo naquelas almas cheias de si, nas almas egoístas, prepotentes, orgulhosas, autosuficiêntes, cultas, modernas, descoladas, livres, mas, que não são capazes de acolher com desapego de si a dádiva divina de Cristo, pois, de tão cheias de si não sobra espaço para o divino.
   Aproveitemos, contudo, o dia de hoje para refletirmos o quanto colaboramos para aumentar a dor de Cristo na Cruz. Reflitamos sobre nossas escolhas, sobre o nosso comportamento, a nossa fidelidade a Ele. Que o dia hoje seja capaz de gerar uma reflexão profunda sobre a minha afirmação de ser cristão e se a minha (a nossa) vida é coerente com esta afirmação. Ou seja, se sou aquilo que afirmo ser.
    Pois, para ser cristão e um verdadeiro discípulo de Cristo Ele nos ensina nos dizendo que quem quiser ir com Ele que tome sua cruz e o siga. Mas, quais são as nossas cruzes? São somente nossas dores provenientes dos males que nos são feitos? Não. A cruz que devemos carregar é, sobretudo, fruto do nosso próprio desapego. Do desapego das nossas paixões, vícios, ira. Desapego da nossa autosuficiência, orgulho, prepotência. Desapego do nosso ponto de vista e da nossa reação segundo a nossa ótica, segundo o nosso desejo. É o corte com tudo aquilo que não nasceu e nem permanece no coração de Deus. É o desapego do nosso EU e de tudo aquilo que está inserido nele. A cruz é uma mudança de paradigmas, é um redirecionamento no dever ser, enquanto cristão. É um compromisso de fidelidade com a Trindade, é um relacionamento divino.
   
E da mesma forma Cristo o fez, quando se fazendo homem renunciou sua condição divina nos ensinando que o amor e o compromisso com o divino requer uma mudança profunda e real em nossas vidas. Ele que primeiro nos amou nos ensinou que para ressuscitar com Ele devemos juntamente morrer como Ele. Assim como Ele não teria carregado uma cruz se não tivesse renunciado a si mesmo, a sua divindade e se feito homem por amor a você leitor e a mim escritor.
    E naquela cruz, em sua dor e em sua morte, Ele assumiu todas as dores e pecados de toda a humanidade até o fim dos tempos. Inclusive o meu e o seu! Como não me sentir amada e imensamente amada por Ele que me amando foi capaz de perder a si mesmo para dar-se a mim. Como O amo e desejo perder-me para que me perdendo O encontre.
   Portanto, que hoje e diariamente sejamos capazes de morrer, a nós mesmos, para que verdadeiramente vivamos a páscoa, que é o nascimento para uma vida nova, e que difere daquilo que somos habituados a ser. Que morramos para o mundo e dessa forma ressuscitemos com Cristo com o olhar fixado no céu e na terra vivamos como se lá já estivéssemos.
   Pois, hoje dor e amor misticamente se encontram. Da dor de Cristo jorra o amor d'Ele para o mundo, para mim para você. E de fato, carregar a cruz e morrer o Eu é difícil, nos custa, mas, somente desta forma encontraremos a plenitude do amor, a plenitude da felicidade, a verdadeira vida e preencheremos o desejo do infinito que somente Deus que é o infinito amor pode preencher em nossas almas, nada mais será capaz de preencher esse desejo de nossas almas...NADA...NADA...NADA! 
 
Portanto temos um vazio e uma inquietação e uma busca constante na alma que somente pode ser preenchida e aquietada por Deus. Feliz do homem que descobre essa grandeza e infeliz do homem que confiando em si mesmo acha que nas coisas que o mundo oferece pode satisfazer esse chamado que o próprio Deus colocou em nossos corações para nos atrair até Ele. E o pobre do homem inventa mil e uma coisas para satisfazer esse vazio e se perde no mundo para não perder a si mesmo por um Deus que muitas vezes ele acha que é inventado. Pobres dessas almas que não acharam seu tesouro. Rezemos por todas as almas e corações que apostaram sua felicidade e satisfação no mundo, pois, continuarão a vagar sempre inquietas procurando preencher esse anseio pelo novo, pelo conhecimento e pela vida...Quando na verdade é uma atração a Deus que somente Ele pode e será capaz de satisfazer. Portanto, morramos hoje para domingo ressuscitar com Ele para uma vida nova e a única vida verdadeira.



Unida na morte e ressurreição,
Amelia Aguiar.

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