Eu respeito; Tu respeitas; Ele respeita...?

   Respeito, respeito meu... existe alguém que respeita mais do que eu? 
  Cotidianamente vejo expressões nas redes sociais que evocam essa habilidade tão humana e que as vezes me parece tão extinta. Parece-me, portanto, que com o advento da liberdade o respeito entrou em estado de decadência. Quando na verdade eles coexistem numa relação simbiótica.
    Voltemos, há alguns anos lá trás, mais precisamente na Revolução Francesa, quando foi evocado como lema dela a trilogia: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Trilogia essa que tem como fundamento até hoje as bases dos nossos direitos e desenvolvimentos sociais. Porém, ainda hoje acredita-se que seja quase impossível haver um equilíbrio entre esse tripé, que é tão fundamental para o respeito humano, ou seja, para a relação social.
    Mas, por qual razão acredita-se que seja difícil haver esse equilíbrio? 
   Pelo simples fato de ter ele como base as relações humanas, que ao mesmo tempo que exige para si a igualdade e a liberdade, impõe ao outro a si mesmo, no que resulta a escravidão do outro, a submissão do outro. E, de fato, se olharmos por este prisma parece um tanto impossível que haja este equilíbrio.
    Porém, ao longo dos anos há uma busca, uma necessidade social para que cheguemos a este equilíbrio... Acordamos para a luta, acordamos para chegar a este equilíbrio... E com o passar dos anos a sociedade e os poderes que a controla criaram mecanismos para desenvolver a tão sonhada Liberdade e Igualdade, mas, mesmo assim parece que atingi-las, de fato, ainda parece distante. Porque, apesar de tantas garantias e direitos, ainda assim, vemos os Direitos Humanos tão desrespeitados. E nos sentimos diariamente indignados e pensando como assim? O que falta? Onde estamos errando?
     Acredito, sobretudo, que o erro está na base. Não existe um equilíbrio de um tripé sem uma base sólida. Lembremos que a revolução evocou uma trilogia: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, porém, a política social procurou mecanismos para desenvolver, apenas, duas vertentes deste tripé: Liberdade e Igualdade, por achar a Fraternidade politicamente desnecessária. No entanto, é justamente a Fraternidade a base de equilíbrio deste tripé, pois, é ela quem norteia as relações humanas. Ela é a única capaz de gerar uma mudança no comportamento humano, visto que, a conquista da Liberdade e da Igualdade depende do comportamento humano, e não somente de leis e sonhos.
     E a primeira escola para desenvolver a Fraternidade é a família. O que torna a família a célula fundamental de uma sociedade equilibrada e saudável, pois, é a família que alimenta a sociedade. Portanto não existe Revolução social sem a preservação da Família. Como diria Igino Giordani (Jornalista, Escritor e Político Italiano): Salvar as famílias, é salvar a sociedade.
    Comecei esse texto porque na semana passada ocorreu uma situação que me deixou extremamente chateada. Aqui em casa procuramos educar nossos filhos tendo como base desta educação o amor fraterno - A Fraternidade. E não admitimos entre eles, entre nós e entre eles e os outros um comportamento desrespeitoso com ninguém, pois, somos todos iguais, não importando as diferenças sociais, econômicas, pois, a base das relações deve ser sempre o outro e não o que o outro traz como acessório (profissão, classe social e etc...). Como estou me recuperando de uma cirurgia, este mês acertamos financeiramente com uma pessoa muito querida nossa de levar e buscar os meninos na escola. E em um desses dias Maria Luiza teve uma crise de birra com essa pessoa voltando da escola, chegando a levantar a voz com ela, o que nos deixou, a mim e a Alexandre, extremamente chateados. E tive que ser mais dura com Maria Luiza neste dia, não poderia deixar passar esta falta de respeito de forma alguma. Mesmo ao pedido desta pessoa, para que eu não brigasse com ela, pois ela era criança.
    Na hora fiz ela pedir desculpas a pessoa e reconhecer sua falta de respeito, e tivemos

uma conversa dura, com firmeza e ela foi castigada e perdeu alguns privilégios: jogos, televisão e etc...E deixei claro que não admitimos esse comportamento desrespeitoso dela com ninguém.
    E ontem foi a vez de ter uma conversa com Theodoro, porque comecei a notar que ele estava falando com Malu com um tom de voz muito impositivo, o que não deixa de ser uma forma velada de desrespeito. E expliquei a ele que, mesmo se a intenção é boa, ou estamos querendo ajudar o outro, a forma como falamos dita o respeito com que nos relacionamos com o outro. E também deixei claro para ele que entre eles dois o relacionamento e o diálogo deve ter como base sempre o respeito de um para com o outro. E que ser irmãos não os dá o direito de se impor um ao outro. E que não admitíamos entre eles uma relação de desrespeito, ou gritos e imperatividade. Que devíamos sempre procurar dialogar, conversar e expor nosso ponto de vista, também para ser um dom de amor para o outro.
     Procuramos também entre nós, eu e Alexandre, termos uma relação acima de qualquer coisa tendo como base esse amor fraterno que nos possibilita o respeito ao outro. Procuramos não nos exceder em nossas conversas e sobretudo sermos os primeiros a dar o exemplo, para isso nos ajuda muito o diálogo semanal ou sempre que algo incomodar, para que não se acumule e vire um muro. E principalmente, resolver as questões em horários que estejamos somente os dois, para que possamos desenvolver entre nós a cumplicidade e estreitar o relacionamento. O que tem nos ensinado nesses 10 anos de matrimônio a escutar com respeito e falar com respeito e juntos em unidade chegarmos a um consenso.
    Queria propor neste momento, que antes de criticarmos os outros com relação ao seu comportamento seja corrupto, seja agressivo, seja decepcionante, ignorante ou quer seja o comportamento do outro... Que façamos um exame de consciência com relação ao modo que nos comportamos com o outro, que façamos uma reflexão sobre como nos relacionamos com as pessoas, todas elas (familiares, filhos, irmãos, parentes, amigos, políticos, empregados, chefes, mendigos...), seja quem for, pois, todos são pessoas e todos somos iguais em direitos e dignidade.
    Entretanto, toda forma de imposição de desejos, vontades, de maneiras de fazer, de querer ser ouvido, respeitado, de falar... Toda ela é desrespeitosa e ofensiva...Toda forma de falar com o outro,mesmo que estejamos certos, mas, que no falar nos impondo e submetendo o outro ao que eu quero que ele escute ou faça é um desrespeito... Toda crítica, mesmo sendo com boa intenção, mas, se tem como agente principal quem a faz é uma agressão ao outro. Todo grito... Direito de falar e não suportar escutar... todo monólogo sem dar ao outro a oportunidade de se colocar no "diálogo" é uma opressão, desrespeito e agressão.
   Portanto, todos nós somos desrespeitados e não nos damos conta quanto somos desrespeitosos com o outro ao nosso lado, pelo simples gesto de falar. A forma como falamos com o outro humilha, denigre, diminui, machuca e entristece, e aos poucos mata o outro. Não podemos exigir se não damos... Não podemos nos indignar com a sociedade ao largo se somos opressores dentro da nossa própria casa, com a nossa família. Pois, é esta família que alimenta a sociedade, são nossos filhos os futuros políticos, advogados, médicos, presidentes e etc... Sejamos construtores desta Revolução, mas, somente seremos se tivermos na base desta Revolução a Fraternidade que gera a reciprocidade que gera a Igualdade em Liberdade e Dignidade. E desta forma, somente desta forma, atingiremos o equilíbrio do Tripé: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Comecemos por nós e por educar nossos filhos não admitindo que eles sejam o futuro opressor de uma sociedade, mas, que sejam eles a Revolução de uma sociedade fratrena.

Unida neste desafio,
Maria Amelia Aguiar.

Comentários

  1. Como sempre...muito bom post! Exigimos tanto pra nós o que não conseguimos dar.

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