O NOSSO CORPO

   

Minha psicóloga em uma das nossas sessões me fez refletir sobre o primeiro presente que Deus nos dá que é o corpo. O corpo no qual habita nossa vida, no qual habita Ele mesmo. Visto que, o corpo não é só matéria, mas, divindade. Ele é a unidade entre matéria e alma. Ele é a expressão do próprio Corpo de Cristo para a humanidade.
   Porém, muitas vezes não nos damos conta, ou não com tanta profundidade, desta mística que envolve nossa vida. Deste milagre diário, dessa grandeza. E nos olhamos, apenas, como proprietários de uma matéria, pois, estamos limitados a perceber somente a carne.
   Esta reflexão  é, sobretudo, fruto de um ano (2014) profundamente mergulhada nesta mística, no qual passei refletindo sobre minha saúde, meu corpo e algumas decisões. Enfim, me possibilitou entender que não eram decisões unicamente minhas, porém, eram decisões que envolviam a mim, a Cristo e a minha família.
   Certamente que, esta experiência teve alguns pontos máximos, que me geraram e conduziram a melhor escolha para os sim que viriam. Como por exemplo, em novembro do ano passado, quando na missa o evangelho falava do Templo de Deus, e o zelo que devemos ter com ele. Mas, gerava uma reflexão para além do Templo de pedras, e olhar e zelar, sobretudo, para o templo que Deus nos concedeu: o nosso corpo, que é fruto de uma unidade mística entre o Corpo de Cristo e nossa humanidade. Quando digo nosso corpo, quero dizer o de cada um que se une ao de Cristo. Ele não é meu, mas, nosso. Pois, nele habitam eu e Cristo.
   Portanto, me fez perceber o quanto fui egoísta com o nosso corpo. O quanto "cuidei" dele com a percepção limitada. Com um olhar egoísta, e muitas vezes sem zelo e faltando com o respeito a esta grandeza. Certamente que, não fui uma boa guardiã de um um presente tão místico e milagroso.
Sem dúvida, que a maioria de nós nos apossamos dele como proprietários, donos e somos empresários deste e que em nome desta propriedade, desta autoridade nos utilizamos dele como fonte inesgotável de prazer, de retorno e de satisfação pessoal.
   Entretanto, ao contrário do que pensamos, o corpo não está a nosso serviço, ele não existe para nos servir, e sim, nós estamos a serviço dele. No sentido de cuidar, zelar, e de ser para a humanidade o reflexo de sua essência. Cabe a cada um de nós cuidar dele para que não o coloquemos em estado de vulnerabilidade. Pois, não só colocamos a nossa vida em vulnerabilidade, mas também, deixamos em estado de vulnerabilidade o próprio Cristo em nós.
   Olhemos, para o nosso corpo, com o mesmo olhar que lançamos a Eucaristia, que é o Corpo de Cristo que se fará um conosco. Olhemos e cuidemos dele, com o mesmo zelo que olhamos e cuidamos da Igreja e dos vasos sagrados. Cubramos ele, com o mesmo zelo e beleza dos panos sagrados. Não façamos dele um comércio com a finalidade de obter satisfação pessoal, mas, contemplemos o milagre diário da unidade entre carne e divindade. E, sobretudo, façamos dele um sacerdócio, que está a serviço de Cristo, pois, com ele nutrimos a humanidade da presença Mística de Cristo.
   Que Deus nos conceda a graça de perceber que por meio do nosso corpo fazemos parte do corpo Místico de Cristo. 

Com amor,
Maria Amelia Aguiar.

Comentários

  1. Meu Deus. É isso mesmo! Como profanamos esse templo, hein!

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