Não, não queria tocar neste assunto, por ter sido ele explorado
muito pela mídia, e pelo fato dele ser muito controverso. Mas, vi esta imagem
que me deixou imensamente triste, e muito triste pelos que tiveram coragem de,
em nome da “liberdade”, fazê-la. Não quero aqui falar sobre o atentado, ou
sobre os mortos, ou sobre fé. Porém, gostaria de tocar em um ponto essencial para que sejamos capazes de, com responsabilidade, exercer a nossa liberdade de
expressão: O respeito.
Sim, o respeito. É, portanto, ele a base fundamental das
relações humanas e da paz que tanto desejamos. Do que nos adianta tantos
protestos, tantas passeatas e reivindicações. Do que adianta “arrotar”, eis a
expressão muito usada, na cara dos outros os nossos direitos, e em nome deles
lutar e em nome deles passar por cima de tudo e de todos? De nada nos adianta,
se e somente se, na base de todo esse desejo não tenha ele, o respeito.
Além disso, nos esquecemos que direitos e deveres coexistem
numa relação simbiótica e que um não sobrevive sem o outro. E que quando
defendo os meus direitos, neles estão implicados, também, os meus deveres. E é
dever de todo cidadão, o respeito ao próximo. Não posso lutar pelos meus
direitos, se não sou capaz de respeitar os dos outros. É no mínimo incoerente,
para não ser eu aqui desrespeitosa com ninguém. Ademais, a globalização nos
trouxe um status de guerreiros e de poderosos e detentores de direitos, porém,
esqueceram de junto com essa febre de lutar pelos “meus direitos”, cultivar
também os meus deveres. Deveríamos, com igual fervor, lutar para exercer os
nossos deveres. Porém, me parece que os deveres diminuíram em detrimento dos direitos. É
uma pena, pois, com isso, muitos de nós, da espécie humana e racional, estamos
perdendo a habilidade de respeitar o outro. E, muitos de nós, acredita piamente
que, para exercer e possuir seus direitos é necessário diminuir o do outro.
Porque “eu tudo posso” e “tenho direito a isso”. É uma guerra camuflada!
Entretanto, não entendemos que a paz que desejamos, que o
mundo diferente que desejamos, terá como base sempre o respeito ao próximo.
Terá como base a relação recíproca entre direitos e deveres. Estamos vivendo em
tempos de guerra? Sim. De uma guerra camuflada por falsos heróis, e falsa ideia
de liberdade e de conquista de direitos. Estamos, portanto, vivendo em tempos
da guerra camuflada das relações humanas, do consumo, dos prazeres, das paixões, onde o
inimigo é o outro que é diferente de mim. Assumir nossas escolhas, não nos dá o
direito de diminuir ou dizimar a escolha do outro. Cada um deve ser responsável
pela sua escolha, desde que, esta escolha não tenha que mudar toda uma sociedade ou
aniquilar todos os valores comuns de uma sociedade.
Não confundamos, portanto, liberdade de expressão com
libertinagem de expressão. Pois, a partir do momento que a utilizo sem
responsabilidade e sem o respeito ao outro, ela deixa de ser liberdade e passa
a ser libertinagem , irresponsabilidade e agressão. E tornasse uma bomba no meio
da sociedade, ou seja, deixa a sociedade ou o país em estado de
vulnerabilidade, pois, toda ação gera uma reação. Essas pessoas se tornam, desta forma, protagonistas desta
guerra camuflada. Não se constrói a paz sem o respeito ao outro, pois, a paz é
um comportamento humano e não um estado. A paz depende do comportamento que
assumo diante do outro, diante da sociedade. Não posso desejar um mundo melhor e a paz mundial, se não sou protagonista dessa mudança.
Logo, o mundo melhor que desejamos para os nossos filhos,
somente o será se, e somente se, deixarmos filhos melhores para o mundo. Não adianta,
portanto, educá-los para serem protagonistas desta guerra camuflada, como se
tivessem o rei na barriga. Mas, devemos educá-los para serem protagonistas da
paz mundial. Devemos educá-los para serem protagonistas do respeito ao próximo.
Para serem protagonistas da reciprocidade entre direitos e deveres. Portanto, educá-los
para serem construtores da paz, a partir do próprio comportamento. Portanto, pensemos: Que filhos estamos deixando para o mundo?
Unida nesta reflexão,
Maria Amelia Aguiar.

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ResponderExcluirAlém disso, nos esquecemos que direitos e deveres coexistem numa relação simbiótica e que um não sobrevive sem o outro. E que quando defendo os meus direitos, neles estão implicados, também, os meus deveres. E é dever de todo cidadão...
Muito bom! Acredito que este comportamento crescente também seja consequência da cultura secularista que excluiu Deus da vida cotidiana. Se Deus não existe ou não faz diferença na minha vida, logo, eu sou Deus. Ou seja, tudo posso.
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