A MINHA família, a TUA família a NOSSA família!

   Esses dias conversando com uma amiga, que irá se casar, ela me dizia: ”pena que quando a gente casa com o marido tem que casar com a família DELE”. E eu escutava aquilo e silenciava, mas, gerou uma reflexão em minha alma.
    Pois bem, HUMANAMENTE o matrimônio tem tudo para não dar certo, pois, são duas pessoas que, na maioria das vezes, são completamente diferentes e com educação e histórias diferentes. Que, muitas vezes, tem núcleos familiares bem diferentes entre si. Mas, o matrimônio é um sacramento, e os sacramentos são, SEGUNDO O COMPÊNDIO DO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, "SINAIS SENSÍVEIS E EFICAZES DA GRAÇA, INSTITUÍDOS POR CRISTO E CONFIADOS À IGREJA, MEDIANTE OS QUAIS NOS É CONCEDIDA A VIDA DIVINA".
   Portanto, quando nos casamos na Igreja, nos casamos não para realizar um evento social, mas, nos casamos para receber a graça de iniciar a vida matrimonial por meio da vida divina. Levamos o próprio Cristo conosco por meio da graça do matrimônio, e iniciamos, com Ele, o mistério de não sermos mais dois, mas, de sermos um só, uma só carne. E, acredito, que inseridos neste mistério, também estão às famílias de origem dos noivos, pois, elas passam a ser parte deste matrimônio, elas se unem a este mistério de unidade matrimonial.
   Porém, muitas vezes, não nos damos conta da grandiosidade deste mistério, da graça que ele nos dá, e tendemos a “HUMANIZAR” o matrimônio, e rejeitar a graça divina. Acabamos desta forma, a baixar a imunidade dele, e o deixamos vulnerável e fragilizado, por não alimentar a graça recebida no altar, que é  A VIDA DIVINA.  E injetar nele a ótica meramente humana.
   E uma das óticas humana é não acolher a família do outro ou não ser acolhido pela família do outro. É olhar a família do outro como sendo fora da sua ou olhar quem chega à sua família como sendo agregado ou de fora dela. É achar que os sogros são um obstáculo na sua vida matrimonial, ou a quem devemos suportar por amor ao esposo (a). Então, muitas vezes, vemos a família do outro como um desafio a ser vencido, e é uma pena que tenhamos esta visão, pois, nos tornamos uma unidade familiar, também, com a família de origem do esposo (a). Geramos por meio do matrimônio uma COMUNHÃO FAMILIAR, entre duas famílias, pois, cada um traz para o matrimônio, não somente ele, mas, as famílias ao largo, dilatando, desta forma, AS FAMÍLIAS DE ORIGEM DE CADA UM.
   Entretanto, aqui me dirijo aos noivos, cada um deve criar as condições para que haja entre essas famílias uma comunhão. Por este motivo, é tão precioso o convívio familiar antes do matrimônio, pois, também a família de cada um deve ter a alma aberta para acolher o novo membro da família, e olhar para ele como parte desta família, não como de fora ou agregado, mas, parte real desta família, e acolher também a família que o novo membro traz com ele, pois, o matrimônio não anula sua família de origem. É como se quando a criança, ao nascer, trouxesse consigo sua unidade familiar. Não podemos rejeitar ou limitar, ou criar condições para aquele que nasce em nossa família, mas, acolhê-lo como graça divina, como um presente de Deus.
   Assim, é o novo membro que chega a nossa família, ele nasce em nossa família, ele é uma célula viva desta família. Ele é, POR MEIO DA GRAÇA DO MATRIMÔNIO, inserido no núcleo da célula familiar, não parte desta célula, mas, núcleo dela. Não para ser suportado, mas, para ser acolhido, não para ser obstáculo, mas, para ser amado. Não para dividir, mas, para gerar uma comunhão.
   Meu Deus, como ao passar dos anos, acabamos por perder essa dimensão familiar alargada, pois, “PEGAMOS” da outra família o que nos interessa, ou seja, o outro, que é o esposo (a) e rejeitamos nela o que não nos interessa, ou seja, todos os outros. Então, acabamos por mutilar a família. Quando não, subdividimos os membros dela, mas, quando na verdade ela é uma única família. Falamos tanto a palavra MEMBRO para definir aquele que é da família, mas, será que já refletimos sobre a dimensão desta palavra?
   Pois bem, em uma de suas definições está ele ser parte constituinte de um todo, e a família, por meio da graça divina, tornasse um único corpo, e seus membros partes constituintes deste corpo, logo, cada membro é parte vital, fundamental para este único corpo.
   Portanto, que cada um de nós reflita se está fazendo sua parte para gerar esta comunhão familiar. Se, está sendo ponte para quem chega ou se está sendo muro para o mesmo. Se, temos claro em nosso coração essa dimensão familiar. Se, estamos alimentando a vida divina recebida no matrimônio e, com ela, todo o seu mistério. E para os noivos, que estejam abertos a essa graça e a esse mistério e que seja, cada um deles, ponte para esta comunhão familiar, bem como, suas famílias de origem estejam, ambas, prontas para transitar nesta ponte. E a minha família, quando digo a minha família, aqui falo dela por inteiro, ou seja, a minha comunhão familiar com Alexandre e a minha comunhão familiar com a família de cada irmão meu, peço perdão pelos momentos que não devo ter sido ponte, que não soube acolher ou que não alimentei entre nós essa vida divina e este mistério Trinitário.

Com amor,
Maria Amelia Aguiar.

                           

Comentários

  1. (...) Geramos por meio do matrimônio uma COMUNHÃO FAMILIAR, entre duas famílias, pois, cada um traz para o matrimônio, não somente ele, mas, as famílias ao largo, dilatando, desta forma, AS FAMÍLIAS DE ORIGEM DE CADA UM.
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  2. Putz! Agora tu se superou, ou melhor, o Espírito Santo em você, se superou!

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    1. Obrigada Juliana, que Ele sempre encontre passagem em minhas mãos ao teclar. E que eu esteja sempre pronta a comunicá-Lo.

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