Estava procurando um filme para assistir, agora a pouco,
e um título me chamou a atenção, já que gosto de filmes românticos: Uma garota
ideal. Mas, quando fui ver a informação do filme achei uma besteira sem limite,
ou seja, era a história de um homem que se apaixonava por uma boneca de plástico
(rs, rs, rs...), então logo descartei. Zapeei por todos os canais, mas nada de
interessante, então resolvi assistir aquele filme por curiosidade, ainda bem
que o fiz.
E que lindo filme, que me fez refletir sobre a bagagem
que cada um de nós carregamos, ou seja, nossa história pessoal: lembranças,
relacionamentos, educação e etc., tantas coisas que cada um de nós carrega e
traz consigo. E que de fato são essas coisas que nos tornam únicos, pois, único
Deus nos fez, seu amor nos personalizou. E o que vivemos, como vivemos e a
leitura que fazemos dos acontecimentos de nossa vida constroem a nossa
identidade. E é essa identidade que damos ao outro quando nos relacionamos com
o outro.
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| Cheia de retalhos - analisamos suas partes |
Porém, a dificuldade nos relacionamentos nasce da falta
de habilidade que temos de acolher e aceitar a identidade do outro, a bagagem
do outro. Entretanto, de alguma forma essa bagagem do outro nos incomoda, por,
não sermos capazes de fazer uma leitura profunda da alma do outro. Por este
motivo permanecemos, muitas vezes, presos na imagem da mala do outro e não nos
aprofundamos no que está dentro da mala, que na verdade, é o que está dentro
que nos fala quem é o outro e nos torna capazes de dialogar e comungar com o
outro. Cria-se dessa forma entre duas pessoas uma ponte, onde gera um caminho
de duas vias, duas vias de almas, de identidade e de bagagens, nascendo dessa
forma um relacionamento pleno, concreto, onde se gera uma comunhão entre duas
pessoas. Muitas vezes perdemos e não nos damos a oportunidade e conhecer a beleza real do outro. Ou não ajudamos o outro a encontrar sua própria beleza.
Essa comunhão, na verdade, é o fruto de um amor concreto
pelo outro. Fruto de um amor verdadeiramente amor, pois, o “amor é o que ele
faz”, e não o que ele diz ser. Trazendo o amor para um plano concreto e não
meramente abstrato, transformando-o em atos e ações. Desta forma, somos
desafiados, por meio dos nossos atos de amor para com o outro, a dizer-lhes que
os amamos imensamente.
Mas, qual é a razão de dizer que isso é um desafio?
Pelo motivo de nos desafiar a sair de nós mesmos, sair da
nossa mala, ou seja, da nossa zona de conforto, do nosso centro ou do centro de
nós mesmos e irmos ao encontro do outro e das necessidades do outro, daquilo
que falta na bagagem do outro, ou como o Papa nos pede: “ir para as periferias,
uma Igreja em saída de si”, pois, cada um de nós é igreja. Pois, todo aquele
que é batizado, torna-se membro da Igreja, torna-se ele mesmo Igreja viva e
passa desta forma, a pessoa batizada torna-se chamada a santidade, a plena
unidade com Cristo. E sendo Cristo, por meio do batizado, marcado naquela alma,
ela passa a ter sede do infinito, e o infinito só é saciado pelo infinito que é
o próprio Cristo. Daí, a razão pela qual essa alma só encontra repouso e
felicidade plena, com uma profunda unidade e comunhão com Cristo.
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| A alma da mala - Contêm suas verdades |
Voltemos, portanto, ao desafio de sair de si mesmo, ou
seja, o desafio que encontramos nos relacionamentos e na relação com o outro.
Porque, estando cada um preso dentro da sua própria bagagem, cria-se desta
forma um limite pessoal, imposto pela fechadura da mala, pelo zíper, que
somente será possível transpô-lo se o rompermos. E toda ruptura é difícil, e
muitas vezes, exige de nós um esforço sobre humano, que pode ser acompanhado de
dor: física ou emocional, e também é acompanhado de perdas, pois, toda ruptura
exige de nós um abandono de ideais e paradigmas, de uma falsa sensação de
conforto e tranquilidade, exige de nós coragem de renunciar e de refazer uma
leitura de nós e do outro. Exige de nós um ato concreto de amor, para salvar os
relacionamentos. E sabemos o quanto isso é difícil, mas, não impossível. Por
isto Jesus nos diz: “Coragem eu venci o mundo” e ainda nos assegura: “Eu
estarei convosco até o fim dos tempos”. O que faz do Evangelho sempre novo e
atual. Pois, Ele sendo Deus, desce ao mundo e se torna homem, nos ensinando,
por meio do seu próprio ato, a como podemos sair da nossa zona de conforto, da
nossa mala: por meio do amor, mas, não de um amor meramente abstrato, mas de amor
traduzido em atos.
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| A primeira vista sem graça |
Portanto, se queremos amar, amemos fazendo. Se quisermos
nos relacionar com o outro, geremos pontes entre nós, por meio de uma profunda
comunhão, que nasce de uma leitura profunda da bagagem do outro, e não somente
do aspecto externo de sua mala, mas, da soma e dos resultados de seus conteúdos.
Porém, poucos de nós, hoje em dia, parecem estar dispostos a se relacionar
verdadeiramente com o outro. Estamos caminhando para uma nova forma de relacionamentos:
os superficiais e com retorno imediato, os quantitativos e não qualitativos, os
prazerosos e não os empenhativos, os afins e não os diferentes, os virtuais e
não os calorosos, ou seja, queremos nos relacionar para nos realizar
pessoalmente e não para comungar com o outro. Queremos relacionamentos que se
encaixem dentro da nossa mala e rejeitamos os que estão fora dela. Nascendo os
conflitos sociais, as rupturas nos relacionamentos, a distorção do que é
verdadeiramente amor. Pois, tudo aquilo que serve a mim mesmo, não é amor na
sua dimensão plena, mas, é uma de suas vertentes, que é o prazer.
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| Atrativa: Alegres e alto astral |
Me despeço sugerindo que assistam a esse filme, não se
deixem enganar pelo título ou por sua breve informação, como assim quase foi
comigo, mas, se permitam fazer uma leitura do amor genuíno e de seus próprios
relacionamentos, inclusive o relacionamento com Deus, e onde eles estão
baseados e fincados: Se em si mesmo, que é uma parcela da plenitude do amor, ou
foram e serão construídos sobre a rocha, que é a plenitude do amor.
Com amor,
Maria Amelia Aguiar.


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ResponderExcluirVoltemos, portanto, ao desafio de sair de si mesmo, ou seja, o desafio que encontramos nos relacionamentos e na relação com o outro.
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