Sempre
me senti atraída pelos mosteiros. Você entra e imediatamente é arrebatado para
a vida que existe ali. As paredes parecem que falam na minha alma, me convida ao
silêncio a oração. Leva-me até o mais intimo da minha alma e me põe diante de
Deus.
Assim
também nos sentimos diante dos santuários e do sacrário. Colocamos-nos diante
deles com zelo, cuidado, adoração. Sentimos-nos mais perto de Cristo, porque
neles Jesus Eucaristia faz morada. Eles guardam o Corpo de Cristo. E quanto
cuidado temos ao tocá-los, ao transportá-los, cobri-los.
Fico
admirada com os bordados, os tecidos, a beleza das toalhas, dos panos e objetos
sagrados. Vejo como as pessoas as tocam, as guardam, com os seu devido zelo e
cuidado. Todos eles receberão, tocarão de alguma forma o Corpo Eucarístico de
Cristo, e por este motivo temos o maior zelo e respeito com eles.
Mas,
por vezes noto que nos esquecemos de igualar o zelo, o respeito, e o devido
cuidado, com as vestes que cobrem o sacrário vivo que somos cada um de nós,
cristãos, que recebemos o Corpo Eucarístico de Cristo. O nosso corpo é morada,
desde o batizado, do Espírito santo de Deus, e por meio da Eucaristia nos
tornamos sacrários vivos.
O
nosso corpo, portanto, expressa e torna visível Cristo no mundo, e assim como zelamos pelos
objetos sagrados na Igreja, também devemos zelar, por meio das nossas vestes (roupas) e
comportamento, pelo nosso corpo, que é sacrário vivo. Nossas vestes e o nosso comportamento expressam também o nosso credo.
Ultimamente
quando vou levar os meus filhos na escola, todo dia ao voltar encontro um senhor
que passa por mim e diz: “paz do senhor irmã”, e eu respondo paz do senhor. Em
várias situações me perguntaram de que igreja eu era, e quando eu respondia que
eu era católica, muitas pessoas se admiravam, e me diziam: ”É porque você
parece uma serva de Deus, mas, afinal somos todos servos de Deus”. Outro dia
fui comprar uma roupa e a vendedora me disse: “olhando para você sei que vai
querer roupas compostas, pois, vejo que você é evangélica”. E olhei para ela e disse que não, que eu era católica, mas, que eu ia querer roupas compostas sim,
pois, meu corpo expressa meu credo.
Confesso
que achava engraçado, e ao mesmo tempo me preocupa, pois, alguns de nós católicos não
expressamos nossa fé muitas vezes pelo nosso modo de vestir. E digo que admiro
muito os evangélicos por sua clareza quanto ao expressar a fé também pelo modo
de vestir. Pois, nosso corpo e o que vestimos comunica aos outros quem somos, e
muitas vezes quem somos e em que acreditamos não está em sintonia, em harmonia com o que
vestimos e como nos comportamos. Mas, assim como os santuários e templos atraem
nossa alma para a oração e nos arrebatam para a presença de Cristo, igualmente
deve ser nossas vestes e nosso comportamento. Pois, somos sacrários
vivos.
Então,
comecei a refletir no primeiro sacrário vivo que foi Maria, e de como Maria se
vestiria hoje. Será que Maria seguiria a moda que o mundo nos apresenta ou iria
contra a corrente e se vestiria com igual beleza, zelo, e sacralidade em suas
vestes? Como seria à moda de Maria? Então me lembrei de minha mãe, que abriu um
atelier de costura juntamente com outras amigas, com o desejo de nos oferecer
uma moda Mariana, mas não encontraram adesão.
E Lembrei-me
do seu zelo quando costurava pra mim. Confesso que quando adolescente achava
exagero suas colocações e que muitas vezes ficava chateada com sua radicalidade
na hora de irmos às compras, mas, ela nunca deixava passar um decote ousado, ou
uma saia muito justa e curta.
Porém,
hoje sou imensamente grata por sua inflexibilidade, sua radicalidade, seu zelo,
sua maturidade, suas colocações e ensinamentos. E quando vou às compras, sempre
sinto minha mãe bem próxima, e seus ensinamentos me permeiam a alma nestas
horas. Fazendo-me refletir, sempre como se vestiria Maria hoje.
Acredito,
portanto, que Maria se vestiria com beleza, prudência, zelo, cuidado. Pois,
Maria, assim como nós cristão, devemos nos vestir e nos revestir de Cristo. Então
aconselho que para nós cristãos, sigamos sempre à moda de Maria, e que, ao nos
olharmos no espelho pensemos sempre: serei sal e luz para o mundo com esta roupa? Com ela eu anuncio Cristo ou o mundo?
Unida à este desafio,
Maria Amelia Aguiar.
...
ResponderExcluirMas, por vezes noto que nos esquecemos de igualar o zelo, o respeito, e o devido cuidados, com as vestes que cobrem o sacrário vivo que somos cada um de nós, cristãos...
Grande verdade. A roupa vestida sem mudança alguma expressa a loooooonga caminhada que ainda temos de fazer para chegar a uma verdadeira conversão.
ResponderExcluir