IDENTIDADE FAMILIAR

Estamos numa época onde me parece que os valores estão cada vez mais escassos. Numa sociedade onde tudo é permitido, desde que ME faça feliz, ou seja, a realização do EU é sempre referência e justificativa para o comportamento que interfere na vida do TODO.

Entretanto, existem valores morais que são comuns para que haja uma ordem social, mas, existem aqueles valores que são inerentes a cada família. Valores esses que são o legado, o bem mais precioso que os pais deixam para os seus filhos. E esse legado os filhos levarão para a sociedade como comportamento pessoal, como escolhas, decisões, ou seja, são esses valores somados aos valores morais que nortearão o comportamento dos nossos filhos e o legado que eles deixarão para a sociedade.

Mas, por qual motivo comecei essa postagem?

Esse bimestre na escola de Theodoro e Maria Luiza, o tema do projeto são os valores morais, e em uma situação questionei Theodoro se ele sabia quais eram os valores da nossa família, se ele sabia identificar aquilo que para nossa família era nosso bem mais precioso, e ele respondeu, e eu confesso que achava que ele não diria, mas o mesmo falou: partilhar, amar a Deus e amar Jesus no outro. E fiquei bastante contente e expliquei a ele que esses valores é que devem nortear nosso comportamento e que os mesmos construirão a identidade de cada um.

Então, hoje indo para escola, passada duas semanas depois dessa conversa com ele, eu perguntei a Maria Luiza se ela saberia me dizer quais são os valores da nossa família, antes, expliquei o significado da palavra valores e perguntei a ela se alguém pedisse para ela dizer os valores da nossa família se ela saberia dizer. Confesso que imaginei que ela diria os valores que estão estudando na escola, mas, ela com sua sabedoria de quatro aninhos me respondeu: amar a Deus, partilhar e ver Jesus no outro.

Poxa, confesso que fiquei imensamente feliz. Se achava que Theodoro com oito anos não saberia me responder, mas, Malu com quatro anos me surpreendeu com sua resposta. Mas, a minha felicidade estava em acreditar que estamos no caminho certo da educação deles, pois, assim como via em meus pais o bem mais precioso da nossa família, vejo que eles veem em mim e Alexandre o nosso bem mais precioso. Então, estamos deixando nosso legado para eles, assim como os recebemos dos nossos pais.

Mas, o desejo de partilhar essa experiência com vocês, é para sugerir que cada família reflita quais são seus valores, sua identidade. Que nós pais entendamos que a vida do casal é referência para a construção da identidade dos nossos filhos. E que o comportamento deles, na maioria, é reflexo do comportamento dos pais, da mensagem que o comportamento dos pais passa para eles.

Eles, portanto, nos olham, nos observam e interpretam a nossa vida, os nossos valores, nosso comportamento, e aquilo que somos e como vivemos, é que ganha força de verdade para os nossos filhos.

Todavia, muitas vezes procuramos fora as respostas para o comportamento dos nossos filhos, mas, quando na verdade, ou na maioria das vezes, essas respostas estão no seio da nossa família, no nosso próprio comportamento. Então, sugiro que primeiro olhemos, com profundidade, para o nosso comportamento, para achar resposta para o comportamento dos nossos filhos. Depois, que alarguemos essa reflexão para o comportamento daqueles que nos cercam.

Mas, acredito que as lacunas que deixamos na educação, quando falo de educação, não estou falando, apenas, de educação intelectual, mas, de educação como o todo, de formação humana, emocional e de valores familiares. Essas lacunas quando deixadas são preenchidas pelo ambiente ao largo: parentes, amigos, namorado, a sociedade como um todo, ou por nossos instintos. É papel nosso, enquanto pais, conduzir nossos filhos e ajudá-los a entenderem o mundo, as emoções, o comportamento que difere do dele. Ajudá-los a construírem a própria identidade. Ajudá-los a amadurecerem e serem pessoas inteiras e que saibam conduzir a própria vida e a fazer escolhas.

Não esperemos, portanto, que eles cresçam para corrigi-los, ou fazê-los refletirem, ou sermos mais duros, quando necessário. Não deixemos passar o momento de interferir, acreditem, eles esperam pela nossa orientação, se assim não fizermos, eles vão procurar quem o faça. Não deleguemos a eles o papel que é nosso. Nós somos os pais e não o contrário. Amar é educar, educar é conduzir. Não subestimemos a capacidade de compreensão, de percepção e de assimilação dos nossos filhos, por conta da idade deles. Não espere para depois, pois, a batalha será sempre maior.

Uma vez li uma mãe falando sobre o filho drogado, e ela disse uma coisa que me chamou a atenção: “Não deveria ter deixado meu filho bater a porta do quarto pela primeira vez, pois, ali comecei a perder meu filho”. Parece uma besteira, mas, se a gente refletir poderemos observar que, no momento em que ele bate a porta, ali começa a se construir um muro no relacionamento entre eles, e aquela porta começa a distanciá-los, pois, ela rompe com o diálogo, com a possibilidade de compreensão do sentimento, omite a participação dos pais na construção da inteligência emocional dos filhos. A porta naquele momento dita quem está no controle.

Unida na reflexão, 
Amelia Aguiar.

Comentários

  1. Entretanto, existem valores morais que são comuns para que haja uma ordem social, mas, existem aqueles valores que são inerentes a cada família.
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