SANTIDADE


Na semana Santa de 2001, após a comunhão, ao levantar meu olhar para o altar, tive a impressão de ver diante de mim a imagem de Maria e do Sacrário se unirem, como se ambos fizessem parte de um único corpo. Os via claramente se unirem, como se um possuísse o outro. Comentei com minha mãe, mas, nunca mais pensei neste dia.

Anos depois, para ser mais exata, em 2013, lendo o livro de S. Afonso de Ligório, na parte que ele fala sobre a carne de Jesus e de Maria, que ambas eram uma só: “A carne de Jesus é a mesma de Maria”. “Uma é a carne de Jesus e de Maria”. Recordei-me imediatamente desta imagem de 2001, e desde então venho pensando nela.

Esta semana, ela me veio novamente na cabeça, e fiquei meditando e tentando entender o que ela me dizia. E lembrei-me de uma meditação de Chiara Lubich, quando diante do altar ela pergunta a Deus onde poderia encontrar na terra Maria, e ela sente como resposta em seu coração: “Quero revê-la em ti”.

Então ficava repassando na minha memória:
  • A imagem de Maria e o sacrário unidos, como em um único corpo; 
  • A frase uma é a carne de Jesus e de Maria;
  •  E quero revê-la em ti. 

E por várias vezes contemplava esses três pontos. E tentando descobrir o papel da humanidade nesta unidade. O papel de cada cristão...
Somos todos chamados à santidade, para ela cada cristão deve caminhar. Ela é a nossa primeira vocação. Mas, a santidade é fruto da unidade com Jesus, ela é a plenitude da unidade com o Pai.

Assim como a carne de Maria e de Jesus é uma só, também a minha, a nossa, a de cada cristão deve ser uma com a de Cristo. Também devemos, nós, estarmos em unidade com Jesus, ao ponto de sermos um único corpo. Ao ponto  sermos possuídos e possuir a Cristo.

Mas como?
De que maneira, de que forma?

Acredito que, mirando a santidade e a vida de Maria. Ela é nossa porta aberta, por onde passa a via ao paraíso. Por ela se abriu a humanidade a via de santidade que é Jesus. Por meio do seu sim, se tornou possível a humanidade alcançar a santidade. Depois dela vieram muitos santos, que assim como ela amaram a Deus sobre todas as coisas e fizeram do irmão uma via de santidade.

No sim de Maria, se realiza a frase de São Paulo: “Que não seja eu quem viva, mas, Cristo que viva em mim”. Na vida de cada santo essa frase se realiza. E na vida de quem deseja a santidade, também, deve viver para torná-la real e concreta. 

Pois, quando deixamos de existir para que Cristo viva em nós, estamos, assim como Maria, gerando Jesus, tornando-nos sacrários vivos, para dar a luz a Ele e dá-lo ao mundo. E dessa forma sermos aos olhos de Deus outra Maria, fazendo com que o Pai a veja em nós. E para o mundo, sermos portas aberta ao paraíso. Pois, Maria se tornou santa, porque primeiro tornou-se via de santidade para muitos. Fazendo-me entender que o segredo da santidade estar em gerá-la no outro. A via de santidade de cada cristão está em construir o paraíso do outro. Para que seja possível experimentar a promessa de Cristo: ”Dai-vos e vos será dado”.

Eis o nexo entre o primeiro e segundo mandamento: Devo amar a Deus sobre todas as coisas, ao ponto de deixar de viver para que Cristo viva em mim. E vivendo em mim, dar a luz a Ele, por meio dos atos concretos de amor ao próximo, assim como fez Maria. Contudo, nos cabe gerar Jesus, para que Ele desenvolva ao ponto d’Ele encontrar novas vias de santidade no mundo. Então, seremos santos, se santos formos juntos.

Uma é a carne de Jesus e de Maria. Uma é a nossa carne. Somos, na unidade, na comunhão dos santos, um único corpo, que encontra sua plenitude no Corpo Místico de Cristo. 

Como sacrários vivos, realizamos a unidade entre a carne de Cristo e de Maria, e assim como no ventre de Maria, sendo sacrários vivos, geramos Jesus para dá-lo ao mundo como amor.

Mérito nosso?
Não.
Graça Divina, que preencheu o vazio de amor!


Maria Amelia Aguiar – 11/07/2014

Comentários

  1. A via de santidade de cada cristão está em construir o paraíso do outro. Para que seja possível experimentar a promessa de Cristo: ”Dai-vos e vos será dado”.

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