O QUE APRENDI COM MINHA MÃE?



Com a minha mãe aprendi que o amor tem cor, cheiro, sabor. Que não é algo meramente abstrato, mas é concreto, pois se expressa pelo ato. Aprendi que o amor é o que o amor faz, e não somente o que ele diz ser. Aprendi que o amor derruba barreiras e constrói pontes. Aprendi que o amor nasce no deserto, jorra do vazio e se lança no infinito. Aprendi que o amor encontra seu propósito e realiza seu desígnio  quando vai até o fim, quando se lança sem reservas, sem medo de perder tudo, nem de dar tudo ao outro, porque o “amor é solícito e percebendo a necessidade do outro faz de tudo para atendê-la”.
Como aprendi tudo isso? Contemplando a vida da minha mãe. Pois, com a vida dela me ensinou tudo isso e me fez acreditar que o amor é tão concreto quanto qualquer coisa palpável, em cada gesto seu, com cada ato seu. Com cada doação de si para o outro, com cada perda sua, com cada sorriso, mesmo na dor. Com cada experiência vivida, compartilhada e ofertada. Na dor que se fazia alegria, na perda que se fazia ganho.

Eu sou fruto do seu total vazio de amor. Do seu perdesse para doar-se a mim, a família, ao próximo. Eu sou fruto de uma vida pautada no sobrenatural, eu sou fruto de uma vida que fez a escolha de fazer do seu programa de vida o amor a Deus sobre todas as coisas. E dessa escolha gerou o fruto que é a presença de Jesus vivo em meio a nossa família. Esse sim, Jesus, foi o bem mais precioso que ela nos deixou. É a nossa herança, foi o tesouro que ela acumulou na terra.

Com mainha, aprendi a reconhecer a presença de Jesus e a amá-lo ao ponto de fazer d’Ele também o centro da minha vida e da vida da minha família.  Aprendi que o amor concreto e real é capaz de dar a vida ao outro, é capaz de dar o sangue da alma se preciso for, é capaz de dar a própria vida. Pois, o amor tem suas raízes em Deus, e não “é apenas impulso humano, mas sopro divino”.

Com ela, aprendi a olhar a vida sobre o prisma divino, sagrado, mas com uma relação intima e estreita com Deus. O seu nada de amor permitia que se sentisse a presença de Jesus entre nós, de forma tão concreta, tão viva, tão real, tão intima, tão estreita, tão parte do que sou, tão esposo de minha alma.

A sua pequenez, as suas dores, as pedras de seu caminho, as suas superações, as suas perdas. O seu cansaço, o seu vazio, os seus medos, as suas doações. A sua coragem de recomeçar, a sua plena confiança em Deus, que se tornou em nossa família o canal da graça e da providência divina. As suas lutas, as suas misérias, as suas fraquezas... Tudo era colocado à disposição do Pai, tudo era a força motriz de transformar dor em amor. Tudo virava moeda ofertada a Deus. E era nessa doação dela para transformar tudo em moeda, que resplandecia seu amor, sua vida e nascia em mim, que me sentia amada, o desejo de, com a mesma moeda, corresponder a esse amor.

E com isso aprendi que a gratidão, também, é a força motriz do amor. Que um coração cheio de gratidão é capaz de se lançar no outro, de amar, de corresponder ao amor. A gratidão é o desejo do ser amado de amar. E que a gratidão também é sopro divino, é um gatilho para o impulso humano.

Com mainha aprendi a amar, a amar concretamente meus filhos. Aprendi que ser mãe é uma dádiva divina, sagrada. Aprendi a dar o sangue da alma por eles, aprendi a transformar dor em amor. Com ela aprendi que a família é uma comunidade de amor.

Feliz dia das mães para cada uma de vocês!

E para os filhos, que ainda tem mãe, lanço a proposta de olha-las com um olhar novo, com a ótica da gratidão e da contemplação. E que desejem encontrar diariamente uma forma de corresponder ao amor dela. Pois, a melhor coisa da vida é ter a graça da plenitude de um relacionamento inteiro, completo, onde tudo foi dito, vivido e correspondido. A saudade física continua, mas permanece a felicidade de uma vida, de um relacionamento pleno, rico e feliz.

Com imenso amor e gratidão por uma mãe que está no paraíso, mas se faz presente no amor,

Maria Amelia Aguiar.

Comentários

  1. Com a minha mãe aprendi que o amor tem cor, cheiro, sabor. Que não é algo meramente abstrato, mas é concreto, pois se expressa pelo ato. Aprendi que o amor é o que o amor faz, e não somente o que ele diz ser...

    ResponderExcluir

Postar um comentário