Semana Santa, das Santas Semanas!

“Eis o lenho da cruz... demos graças a Deus”!

Como não entrar nesse mistério tão contemplativo que é a Semana Santa. Desde quinta-feira que me sinto envolvida nesse mistério, de forma reflexiva e contemplativa. Não é um feriado normal, nem dias de descanso. Sim, podem ser sim dias de descanso, mas da alma, para que seja possível entrar neste mistério.

Sempre na quinta-feira santa, me sinto imensamente grata, com coração cheio de plena graça pelo mistério divino da Eucaristia, por Jesus nos permitir fazer parte de seu Corpo Místico. Pelo ponto de partida da nossa vida cristã. “é a Eucaristia instituída para que nos tornemos irmãos. Para que de estranhos, indiferentes uns com os outros e dispersos, nos tornemos unidos, iguais e amigos. Pois a Eucaristia nos é dada afim de que, de massa apática, egoísta, pessoas entre si divididas e adversárias, nos tornemos um povo, um verdadeiro povo, crente e amoroso, de um só coração e de uma só alma”.

E ainda, “sob a aparência de pão recebes o corpo e sob a aparência de vinho recebes o sangue para que te tornes, tendo participado do corpo e do sangue de Cristo, concorpóreo e consanguíneo d’Ele”. É o meio pelo qual Jesus encontrou de estar conosco até o fim dos tempos. Como não me sentir agraciada, presenteada e amada? Não tem como, minha alma deseja corresponder a esse tão grandioso amor.

Na sexta-feira santa, minha alma passou o dia reflexivo, entrando no mistério da morte e crucifixão de Cristo. Passei o dia pensando em sua morte, em suas dores, na sua entrega, no seu vazio, na sua culpa inocente. Nos espinhos cravados em seu corpo, nos pregos cravados, nas chicotadas, no vinagre bebido, na lança em seu peito, no ardor no seu corpo, no seu cansaço e peso ao carregar a cruz e na humilhação das zombarias. E como, ainda hoje, o crucificamos, em cada falta de amor com o próximo.  Ele perdeu tudo, deu-nos tudo, para que alcancemos a salvação, para que nos tornemos partícipes de seu Corpo Místico.

Deu-nos até o seu sentimento de abandono, assumindo todos os nossos pecados: os cometidos e os que ainda cometeremos, encerrou todos os pecados da humanidade e nesse ato sentiu-se distante do Pai, esse sem dúvida foi seu maior sofrimento, o sentimento de abandono, de distanciamento do Pai. Ele morreu para que cada um de nós não experimente esse distanciamento de Deus. Ele experimentou a maior dor do homem, o vazio, a angustia, o desamparo. Assumindo os nossos pecados, desceu a mansão dos mortos, e viu que não tem morte maior que uma alma distante do Pai. Sem dúvida, a morte da alma, em vida, é um tormento, é um inferno já na terra. E para que isso não aconteça, deixou-nos a Eucaristia para que a alimentemos, para que nos unamos a Ele. Deu-nos a vida com sua morte. Ensinou-nos que devemos, por amor ao outro e a Ele no outro, irmos até o fim. Até o ponto de morremos a nós mesmos. Deu-nos a medida do amor.


Hoje é sábado de aleluia, dia de espera, de guarda. Minha alma está mergulhada nessa expectativa, nesse mistério, que a semana santa nos permite participar. Hoje, especialmente, acordei lembrando-me da minha mãe, que faleceu vai fazer cinco anos em junho, pois tendo ela falecido na graça de Deus, também a torna participante deste Corpo Místico de Cristo. Então hoje é dia de contemplar o paraíso. E neste Corpo Místico de Cristo, onde somos, todos um, posso contemplar sua presença, sua alegria, sua alma, seu rastro luminoso. E me faz constatar essa unidade, que é fruto da Eucaristia.  É um dia saudoso, mas não triste, mas um dia de expectativa de paraíso. A sexta-feira nos introduz no sábado, pois quando o sacrário fica vazio, também fica vazia minha alma e enchesse de expectativa de tornar a ver Jesus Eucaristia e tê-lo entre nós, pois a Eucaristia nos ressuscita, nos dá vida nova, a Eucaristia é nossa páscoa, é fonte de ressurreição.


E amanhã é dia de festa, Cristo ressuscitará, e nós com Ele, como partícipes de seu Corpo Místico. Em cada ato de amor ao próximo, nos tornamos participantes de sua ressurreição.



Bendito sejam os ritos e as tradições, pois mergulham nossa alma na contemplação e nos impulsiona a RECOMEÇAR, a REDIRECIONAR nossa vida sempre buscando as coisas do alto, sempre mirando a unidade com o Pai, sempre RENOVANDO a fidelidade a Ele!!!


Maria Amelia Aguiar.

Comentários

  1. Como não entrar nesse mistério tão contemplativo que é a Semana Santa. Desde quinta-feira que me sinto envolvida nesse mistério...

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