FELIZ PÁSCOA!

Gostaria de desejar uma Feliz Páscoa para cada um de forma particular, pois, ela é uma experiência individual, que tende ao coletivo. Mas você poderia dizer que estou alguns dias atrasada, pois a Páscoa já passou. E eu diria que ela está começando, continuando, se renovando. A Páscoa é uma experiência diária. É uma escolha diária, é uma permissão diária...

A Semana Santa, como havia escrito na postagem anterior - Semana Santa, das Santas Semanas - tem um caráter contemplativo, nos insere nesse mistério, que acontece na vida de cada cristão. Então, ela é como uma parada no tempo, uma oportunidade de subir a montanha para ter (conversar) com Jesus, e depois com Ele descer a montanha para renovar a vida, para transformar a nossa vida e contribuir para transformar a vida de quem está ao nosso redor. Ela é vida concreta.

Pois, Jesus quer ressuscitar em nossa alma, e na alma de cada um que passa ao nosso lado. E para que essa Páscoa aconteça, é preciso que, diariamente, morramos o nosso eu, muitas vezes egoísta, individualista, competitivo, centrado em si, sufocado pelas dores de cada dia, pelo cansaço, pela correria. Para dar vida a Cristo ressuscitado, para fazê-lo ressuscitar, diariamente, em nós.

Contudo, é Ele presente em cada um que passa ao nosso lado: no pai, na mãe, no irmão, nos colegas: de escola, faculdade ou trabalho, no vizinho, no professor, no chefe, no porteiro, no mendigo, no pedinte, no filho, no esposo (a), na cunhada (o), no cliente, no amigo ou no inimigo, no legal e no chato... É Ele presente em cada um, desejando ser amado, acolhido, olhado. Desejando um sorriso, um bom dia. É Ele, que quer se tornar uma presença VIVA em cada um. Mas, que muitas vezes é sufocado, é diminuído, não é escutado, é esquecido, é crucificado.

Então, cada coisa feita ao outro, cada ato de amor feito ao outro, é a Jesus que fazemos. Cada sorriso, cada bom dia, cada gentileza, cada partilha, cada doação, cada ajuda. Tudo que é feito ao outro, é a Jesus que fazemos, pois Ele vive em cada um. E reconhecer essa presença viva e ressuscitada d’Ele em cada um que passa ao nosso lado, redireciona nosso dever ser, nosso agir cristão e nossos relacionamentos.

Todavia, o inverso também, ou seja, cada falta de amor ao outro, cada vez que diminuímos o valor que o outro tem, cada vez que maltratamos, roubamos que falamos mal ou zombamos, que humilhamos, que gritamos, que desprezamos, que deixamos de dar vida ao outro, também é a Jesus que o fazemos. E ao invés de dar vida a Ele, estamos o crucificando. Ao invés de diminuir sua dor, estamos o enfraquecendo, aos poucos, dentro de nós e dentro de cada um que passa ao nosso lado.

Sendo assim, podemos ver o rosto de Cristo em cada instante, pois Ele assume o rosto de cada próximo, o outro é o semblante de Jesus, e quem vê a cristo, vê ao Pai, pois Eles são um só.

Como podemos dar vida a Cristo ressuscitado?
Amando quem passa ao nosso lado!

Então, a proposta para a nossa Páscoa diária: “Que ninguém passe ao nosso lado em vão”. Que não percamos a oportunidade de amar cada um que passa ao nosso lado, para que dessa forma, ajudemos Jesus a se fazer vivo no outro, para que sendo amado Ele cresça no outro, e o outro tenha a oportunidade de senti-lo, de sentir seu amor. Essa é a verdadeira evangelização.

Sempre digo na catequese da Eucaristia que existe duas formas de fazer Jesus crescer em nós, de dar vida a Ele, de alimentá-Lo dentro de nós: a Eucaristia e os atos de amor. Pois, se não o alimentamos, Ele corre o risco de enfraquecer e Ele enfraquecendo, sua voz vai ficando cada vez mais baixa, e vai ficando cada vez mais difícil de escutá-la. E dessa forma, a voz do nosso eu vai ficando cada vez mais forte. Então, se comungamos, alimentamos Jesus em nós e Ele vai crescendo e aumentando cada vez mais dentro de nós. E quando fazemos atos de amor, quando amamos cada próximo que passa ao nosso lado, também Jesus cresce e se fortalece em nós, e o nosso eu vai diminuindo e dando vida a presença VIVA de Cristo ressuscitado.

O outro não é, portanto, um inimigo, um adversário, um empecilho. Nem alguém que tenho que suportar, conviver, aturar ou um amigo, um chegado. Mas, é, sobretudo, um SACRÁRIO VIVO, o outro é templo do Espírito Santo. O outro é porta aberta ao paraíso.  O outro é o rosto de Jesus, e nele Ele faz morada. O outro é a presença de Jesus ressuscitado e vivo entre nós.

Tenhamos, sobretudo, diariamente, uma FELIZ PÁSCOA!

Tudo o que fizerdes ao menor dos meus irmãos, é a Mim que o fazeis” (Mt 25, 40).


Unida ao desafio,
Maria Amelia Aguiar.

Comentários

  1. Então, cada coisa feita ao outro, cada ato de amor feito ao outro, é a Jesus que fazemos.

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