A postagem anterior - A razão de ser e de existir - me introduz nesta. Anteriormente havia falado que desde o namoro, eu e
Alexandre, conversamos sobre a educação dos nossos filhos, pois ela não deveria
ser fruto de uma realidade, mas uma realidade construída e planejada.
Tendo isso em vista, comuniquei a ele o meu desejo de
educar os nossos filhos para o amor, da mesma forma que meus pais me educaram,
mas não um amor meramente humano, mas um amor evangélico, que tem em sua raiz
Deus.
Aqui me recordo que quando Alexandre me pediu em namoro a
primeira coisa que falei antes de dizer sim foi: Olha, eu quero construir uma
família cristã, onde Deus seja o centro dela. Gostaria de educar meus filhos
com os valores evangélicos e ter como modelo, dela, a Família de Nazaré. Então,
o namoro não é pra mim um mero divertimento, mas a construção dessa realidade e
queria que você se sentisse livre para repensar seu pedido. E Alexandre olhando nos meus olhos, me falou:
“Eu posso ser esse homem que vai construir com você essa família”. Então demos
inicio a nossa jornada.
E nesse caminho, analisando a educação que recebemos,
identificamos dois valores que deveriam fazer parte dessa educação: A formação
da consciência dos nossos filhos e a sensibilidade ao outro. Acreditamos que devemos educá-los não apenas
com limites, determinações, regras, valores... Mas construir neles a
consciência da importância desses valores, desses limites, das regras de casa e
de toda a sociedade.
Vejamos então, Consciência e sensibilidade, dois valores
que tem em sua base de sustentação o diálogo. O homem em geral, somente adere
a qualquer proposta que a ele for feita se ele tiver convicção dela. E somente é capaz de amar se for sensível ao
outro, a necessidade do outro.
As escolhas que fazemos é fruto da consciência que temos
com relação a tudo que nos rodeia. Sabemos que nossos filhos não são nossos, e
que devemos educá-los para que possam saber fazer suas escolhas e retornarem ao
Pai. E nós, como pais, não podemos fazer as escolhas deles, por eles, pois,
devemos educá-los para serem pessoas inteiras. E educar para que eles atinjam
essa integridade passa pelo processo de construção da consciência.
Entretanto, para que eles não sejam meramente frutos da
razão, pois somos, não apenas corpo, mas também alma, não apenas indivíduo, mas
um ser sociável. Devemos educá-los para que se abram ao outro, para que a
consciência dele o leve e esteja sempre aberta a fraternidade, a solicitude, ao
amor.
Aqui, todavia, entra a importância do diálogo, da verdade,
do olho no olho. Não estamos formando uma pessoa inteira, se apenas somos
ditadores de regras, ou controladores de seu comportamento, ou responsáveis por
seus valores. Não se pode abrir-se ao outro, sem ir em profundidade no outro,
sem conhecer a realidade do outro, sem ter consciência da importância do outro
em nossas vidas e a importância dela para o outro.
Lembro que, desde que os meninos nasceram que temos um
diálogo aberto com eles, mesmo, se as pessoas falassem pelo fato deles serem
tão pequenos, alegando não terem capacidade de entender nada. Mas escolhemos
sempre manter o diálogo aberto, pois sem ele não se constrói a consciência e
nem os nossos filhos serão capazes de conhecer o outro por inteiro.
Recordo-me de uma vez, quando Theodoro tinha um ano, e
ele ganhou uma motoca de presente e como ele não sabia andar direito, descobriu
que era legal fazê-la descer escada abaixo. E eu dizia: Theo não faz isso! E
ele continuava, e de novo e de novo. Então o chamei e olhando nos olhos dele
com calma eu disse: Theo sabe que se você continuar fazendo isso à motoca vai
quebrar e se ela quebrar painho e mainha não terá dinheiro para comprar outra.
Ele voltou pegou a motoca para continuar a jogá-la, mas antes disso parou por
um minuto, olhou para ela e olhou para mim. E depois pegou e a guardou junto
com seus brinquedos. Ele tinha um ano, mas, fez uma escolha com base na
consciência que adquiriu do conhecimento das consequências do seu
comportamento, fruto de um diálogo aberto.
Sendo assim, o diálogo abre o nosso olhar para o outro,
para as razões do outro, para a necessidade do outro, para as expectativas,
para as consequências, nos abre para o conhecimento. E o conhecimento gera uma
consciência, e a consciência gera uma escolha e a escolha gera um
comportamento, e o comportamento gera uma consequência, na vida deles, e de
quem está ao redor deles.
Mas o que é essa consciência sem a sensibilidade, sem a
abertura para o outro, sem a solicitude, sem a fraternidade? Autossuficiência,
ou ideia falsa dela. Escolhemos, Eu e Alexandre, educar nossos filhos não
somente para construir a própria vida, mas com a consciência de que somos todos,
uma grande família. E que nela não existe somente nossas vontades, nossos
desejos, nossas necessidades, mas, há igualmente, as dos outros, as do nosso
próximo, às de quem nos rodeia e às de quem está longe.
Sensibilidade e consciência, portanto, nos abre para a
comunhão, para o desapego, para as escolhas, para a partilha, para a reflexão,
para o saber perder. Para o desejo de construir com e para o outro. Para o
desejo de corresponder à doação e o desapego do outro. Ela nos abre para a gratidão e a gratidão nos
abre para a reciprocidade. E a reciprocidade faz o amor circular, em nós, entre
nós e em toda humanidade.
“O amor é
solícito, percebendo a necessidade do outro faz de tudo para atendê-la”.
Unida ao desafio,
Maria Amelia Aguiar.
Vejamos então, Consciência e sensibilidade, dois valores que tem em sua base de sustentação o diálogo.
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