Nunca se viu tanto bombardeio a família, como vemos hoje.
A família mudou suas características quanto ao número e papel de seus membros.
O mundo oferece uma ampla oferta de atrativos, de ideias,
de tribos. A família, como dizem, mudou sua forma, seu estilo e corre o risco
de perder sua essência.
Os noticiários constantemente nos mostra uma família
mutilada pela ambição, onde o ter se sobrepõem ao ser. Mutilada pelos vícios,
realização profissional, paixões doentias. A família moderna parece, cada vez
mais, diminuir o espaço de Deus em seu meio, onde muitas vezes conhecê-lo virou
uma escolha pessoal para o futuro dos filhos. Deus deixou de ser o centro da
família, aquele que a conduz.
A família, hoje, absorve os valores individualistas e
competitivos do mundo moderno. Os pais se matam de trabalhar para garantir o
futuro profissional e econômico dos filhos, ou passam horas fora de casa em nome
da realização pessoal, e assim alimenta o mercado da educação e econômico e
gera um ciclo, vicioso, de manutenção.
Nesse contexto, a realização pessoal, é o sonho de
consumo pelo qual a família paga um preço muito alto. A realização pessoal, que
muitas vezes passa pela profissional, parece ser um futuro que nunca vira
presente. Pois, quanto mais se busca e se investe, mais tem que se investir e
se atualizar, se dedicar e se empenhar, caso contrário, você fica para trás.
Para muitos não basta ser um bom profissional e ter segurança financeira, mas
se deseja ser o melhor, o mais renomado, ser referência na sua área, dando a
sensação de que aonde se chegou nunca é o bastante, pois sempre se pode ir mais
longe. E muitas vezes essa realização sempre fará parte de um futuro, no qual o
presente paga um preço caro demais.
Entretanto, não estou excluindo a importância da
profissão na vida da família, apenas diminuindo o grau de sua importância na
vida dela. A profissão não é tudo que se é, apenas, parte daquilo do que se é.
O trabalho é um meio pelo qual a família desenvolve. A profissão é um serviço à
família e a humanidade. Ela é canal de doação, ela nos permite estar a serviço
do outro. Mas, muitas vezes entende-se que a profissão deve estar a serviço de
si mesmo, onde seu serviço é garantir a realização pessoal.
E muitas vezes, os filhos são educados para serem felizes
e realizados, com suas conquistas, tipo quando passarem no vestibular e depois
que entra na faculdade, a felicidade é um pote que espera na conclusão dela. E
depois o pote vai cada vez ficando mais distante cada vez mais difícil de ser
agarrado, tocado, apreciado. Sempre falta alguma etapa para a plenitude da realização
pessoal.
Desta forma, a realização pessoal, muitas vezes, passa a
depender daquilo que possuímos e do status que o que possuímos nos proporciona.
Entende-se, que se não se é bem sucedido, não se é plenamente feliz. E o vazio
na vida e na alma, parece que nunca se preenche. Então, esse vazio não deixa
que a pessoa se sinta completa, inteira e plena.
E esse vazio na vida e na alma, que o material não preenche
que o sucesso não preenche, que a realização pessoal não preenche, faz com que
se mergulhe e se trilhe caminhos que acabam degradando a vida da família, e das
pessoas ao nosso redor. Há casos de consumo excessivo de álcool, drogas, uma
busca desenfreada pelo prazer sexual, tudo passa a ser uma forma de preencher
as lacunas deixadas por uma família mutilada por uma cultura da realização
pessoal. E nada disso vai conseguir fechar ou preencher essas lacunas.
Parece-me que o erro esteja em ver a família, apenas,
como um agrupamento de pessoas que moram numa mesma casa. Onde cada membro
busca sua realização pessoal. Onde marido e mulher, Como dizem: “enquanto o
amor durar”, contribui para a manutenção da casa e educação dos filhos.
Contudo, a falsa ideia, de uma felicidade que é fruto de
uma realização pessoal, diminuiu em parte da humanidade, ou se sufocou em meio à
modernidade, a verdadeira vocação da família – a de ser uma Comunidade de Amor,
onde pais e filhos tornem concreto o amor fraterno, e essa família com essa vida
alimente a humanidade. Pois, a família alimenta a sociedade, o Estado, a
humanidade.
Maria Amelia Aguiar.
“Salvar
a família é salvar a civilização, pois o Estado é constituído de famílias; se
estas decaem, também aquele vacila”. (Igino Giordani)
A família, hoje, absorve os valores individualistas e competitivos do mundo moderno. Os pais se matam de trabalhar para garantir o futuro profissional e econômico dos filhos...
ResponderExcluirMenina...falou tudo. O que as pessoas não parecem enxergar é que tudo nasce no seio familiar. Estão querendo fazer o caminho inverso: do macro para o micro e é aí que tudo dá errado!
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