Já tem alguns dias que venho refletindo sobre o papel, ou
a importância da tecnologia em nossas vidas e principalmente na vida de nossos
filhos.
Não é raro ver hoje em todos os lugares as pessoas com
seus celulares, seus tantos outros aparelhos que os deixam conectados o tempo
todo, pois não se quer perder nada. O desejo é estar ligado e atualizado o
tempo todo, “para não se perder tempo ou informação”. E em nome da modernidade, da competitividade
e do consumo excessivo, estamos de fato perdendo.
Perdendo um olhar, um sorriso, uma brincadeira, um tédio,
uma oportunidade de criar, uma conversa por inteiro, e quando eu falo por
inteiro, falo com total doação de si para o outro, e não apenas com os ouvidos,
mas com os olhos, com a sua "perda" de tempo com o outro, com uma total doação de
si para o outro.
Já paramos para pensar na mensagem que se passa para a
pessoa ao nosso lado quando estamos no meio de amigos, ou com a esposa, ou com
os filhos, seja com quem for, e estamos teclando o tempo todo. Será que já nos
perguntamos qual a mensagem que passamos para os outros, ou para quem ainda se
importa com os relacionamentos, quando se está conectado, com a atenção voltada
para o aparelho durante a conversa, o jantar, ao assistir, ao brincar?
A mensagem é de falta de interesse, de falta de atenção,
de falta de respeito, de falta de valor, falta de amor, pois geralmente a gente
coloca a nossa atenção naquilo que é importante para si, naquilo que de fato
damos valor.
Estamos perdendo a habilidade de nos voltarmos para o
outro. Estamos perdendo a habilidade de informar ao outro com o corpo, com os
gestos, com o olhar, com o sorriso, que o outro é que é, naquele momento,
detentor da minha atenção, do meu respeito, do meu amor. Quando estamos, por
inteiro, voltados para o outro, estamos dizendo ao outro o quanto ele
importante para mim.
Nós estamos perdendo, mas muitas das nossas crianças
estão crescendo sem essa habilidade. Culpa de quem? Da geração atual? Não!
Culpa dos exemplos, do meio em que ela vive. Pois a mensagem que também é
passada a ela é que aquele aparelho, que estar grudada nele é que é legal, e que é bem mais interessante que brincar com os coleguinhas, que perder tempo
para criar, que é bem melhor que o outro ao meu lado, pois é assim que ela
entende quando a atenção do adulto ao seu lado diz a ela com sua falta de
atenção ao outro.
Então muitas vezes os pais se conformam em dizer: Mas é a
geração deles, o que eu posso fazer?
Mas quem faz a
geração deles? Acreditem! Um dos papeis
da nossa geração é conduzir a próxima geração. É isso que fazemos como pais. Somos nós que
mostramos, com a nossa vida, o que é importante para nossos filhos. É a nossa
vida que diz aos nossos filhos os valores que eles vão possuir, é nosso papel dar limites.
Nosso papel vai
além de alimentar, de educar profissionalmente, de dar um bom futuro para eles.
Mas é conduzir nossos filhos, não apenas para o futuro, mas conduzi-los na
felicidade e na alegria do momento presente.
O futuro é construído no momento presente, mas toda construção
passa por etapas, por fases, para que ela chegue ao seu fim inteira e sólida.
A tecnologia é ótima, mas devemos lembrar que ela é, apenas,
uma ferramenta, e não a nossa vida por inteiro. E como pais é nosso papel
educar nossos filhos para usufruírem dela de forma saudável, segura e com a
função que de fato ela tem: De ferramenta.
Impossível? Não.
Difícil e trabalhoso? Sim.
Mas quem disse que educar seria fácil e sem trabalho
nenhum?
Unida no empenho,
Maria Amelia Aguiar
Já tem alguns dias que venho refletindo sobre o papel, ou a importância da tecnologia em nossas vidas e principalmente na vida de nossos filhos...
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