O amor, ao mesmo tempo, que é desinteressado, pois
devemos amar sem pretender nada do outro, é um desígnio, pois no amor se
realiza o mandamento de Jesus: "( ...) que vos ameis uns aos outros".
Parece contraditório, mas concreto, pois o efeito do amor
desinteressado é a reciprocidade. Como falei em outra postagem A linguagem do amor, o amor
verdadeiro, e digo por verdadeiro um amor concreto, desinteressado que vê no
seu fim o amor ao outro, a completa doação de si para o outro, gera na pessoa amada o
desejo de corresponder a esse amor,o desejo de amar.
Nesse contexto, o amor passa a exigir de nós uma medida.
E que medida é essa? A mesma medida do amor de Jesus por nós: “E tendo nos
amado, amou-nos até o fim, até a morte...”, e Ele próprio nos pede: “Amai-vos
uns aos outros COMO Eu vos amei”, essa é a medida de amor que devemos ter para
com os outros, assim Jesus nos ensinou e nos pede, esse é o programa de vida de
todo cristão: Amar o outro COMO Ele nos amou, até o fim, até a morte.
Mas, pode nos parecer um tanto que impossível amar com a
mesma medida de Jesus, mas primeiro devemos acreditar na graça. Pois é Ele
mesmo em nós, que nos dá a graça de amar o irmão na mesma medida que a d’Ele.
Porém, cumprir essa exigência do amor, exige de nós uma
disponibilidade de alma, por isso o primeiro mandamento é que amemos a Deus
sobre todas as coisas, porque precisamos deixar morrer tudo aquilo que não
pertence a Deus, deixar cair tudo aquilo que não é de Deus, é necessário que
desapeguemos de um olhar voltado para nós mesmo, para voltar o olhar para o
outro.
Fazendo do amor ao outro o segundo mandamento, e desses
dois mandamentos o resumo de toda a lei. Pois existe um nexo entre o amor a
Deus e o amor ao próximo, pois quanto mais amo a Deus, mas me abro para o amor
ao próximo e quanto mais amo o próximo mais se dilata meu amor a Deus.
Hoje, porém, pode ser que não nos seja pedido uma morte
física, assim como a de Jesus, mas existem mil formas de morrer para amar o
outro: Morrendo a nossa própria vontade para amar concretamente o outro, seja
perdendo uma ideia, seja silenciando para evitar uma discussão, seja desligando
o computador para estar voltado para o outro, seja dando um sorriso quando não
estamos com vontade, seja lavando os pratos quando queremos descansar, seja
segurando uma resposta a “altura” para não romper com a caridade...
Todos esses atos exigem de nós uma morte, a morte do nosso eu, a
morte do desejo de viver voltado pra si mesmo e pra suas próprias necessidades, é uma morte que também nos custa, principalmente quando o mundo grita e clama
por individualidade, amor próprio e ensina que a felicidade está em se satisfazer, doa a quem
doer.
Contudo, o programa de vida de todo cristão é que nos amemos
da mesma forma, com a mesma medida que Jesus nos amou, a fim de que se cumpra seu desejo: “Que sejamos todos um, no amor mútuo”, na unidade gerada pela
reciprocidade do amor!
"Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida" (cf. Jo I5,I3) -
" (...) os seguidores de Jesus não poderão dizer que são autênticos se não forem capazes de dar a vida".
Unida,
Amelia Aguiar.
O amor, ao mesmo tempo, que é desinteressado, pois devemos amar sem pretender nada do outro, é um desígnio, pois...
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