O que aprendi com meu pai?

Um dia desses estava em uma reunião com casais, e falávamos sobre o amor, mas não um amor que tem raiz humana, mas na verdadeira raiz e natureza do amor, que é Deus. E em um determinado momento olhando para Alexandre, descobri que esperava dele as qualidades do meu pai, como homem, esposo e pai. Descobri naquele momento o quanto de influência meu pai tinha na minha relação com meu marido, e o quão importante o que ele representou na adolescência influenciou no que eu sou como esposa, porque ele foi meu primeiro referencial de homem, de marido e de pai. E o referencial que tinha dele me fez escolher Alexandre, porque encontrei nele suas qualidades e via nele eliminado seus defeitos, mas, sobretudo  recebia Alexandre na certeza dele ser  um presente de Deus para mim e para os filhos que desejava ter.
Eu e Alexandre viemos de educação diferente, e esperava dele um comportamento parecido com o do meu pai, pois como disse antes, o comportamento do meu pai como marido e pai e homem era o que eu tinha como referencial.
Meu pai cozinhava sempre aos domingos, durante a semana acordava primeiro e fazia seu próprio café da manhã enquanto minha mãe dormia; se trocava sem fazer barulho para ela descansar mais e saia para o trabalho; ele arrumava a casa, lavava os pratos, cuidava do jardim, acordava no meio da noite para espantar as muriçocas enquanto nós dormíamos, no tempo que não tínhamos ventilador; era quem, quando nós éramos bebes, levantava de madrugada para cuidar de nós três, pois mainha trabalhava e estudava, e ele queria que ela desancasse. Ficava sempre procurando uma forma de agradar cada um, valorizando o que cada um gostava, presenteando, ele era mais calado. Mais sabia comunicar seu amor em atos concretos. De um coração humilde, puro e amoroso e dava o sangue da própria alma por sua família.
Não media, e não mede esforços pra suprir nossas necessidades, ia até as últimas consequências do seu amor por seus filhos. Desapegado de suas próprias necessidades, de suas vontades pelo bem comum da família. Às vezes tinha a meia rasgada, mais só comprava uma nova se não tivesse mais nenhuma outra necessidade. Ia andando para o trabalho para nos dar o vale transporte para que a gente fosse à escola. Ia pedir descontos e prazos na escola para a gente estudar, deu sua própria vida por cada um de seus filhos, e tenho plena consciência de como deve ter sido difícil cada situação, mais não parava em seus próprios limites, ia além deles por amor.
Ainda hoje, ele sai de recife de carro para vir nos buscar em Maceió, para nos levar a Recife para que estejamos todos juntos nas festas ou férias e feriados, e depois vem nos trazer e volta para recife – sacrifício – não, amor – doação, compaixão, capacidade de dar a vida pela necessidade do outro, pelo prazer de estamos juntos, porque juntos nos realizamos.
Alguém poderia pensar que ele é um homem raro, que a natureza do homem não é essa, para mim era o único referencial de homem que tinha, e para mim aquela devia ser a natureza de todos os homens. Porque ele não nos amou com um amor meramente afetivo e humano, mas nos amou, e nos ama, com um amor sobrenatural. Cumpre com o papel que Deus espera de cada pai, que sejam outro Ele, que realizem também eles a vocação de José na família: a de guardião.
Mainha gerou Jesus na família e painho foi guardião dEle. Deu sua própria vida, superou seus limites, mudou seus modelos, redirecionou sua vida, perdeu seus ideais, para garantir que Jesus gerado fosse desenvolvido e preservado.
Quando eu era criança achava meu pai um super-herói. Na adolescência descobri seus defeitos e muitas vezes o julguei e o crucifiquei. Mas descobrir seus defeitos me deu a possibilidade de reconhecer sua generosidade, seu esforço de ir além dos seus limites, me deu a chance de aprender a perdoar, e a olhar o outro com olhos novos, me ensinou com sua vida a recomeçar, me mostrou com o seu "perder" o valor da família, me fez crescer em gratidão e me fez admirá-lo com maturidade e na verdade. Ensinou-me que para amar é preciso mergulhar verdadeiramente no outro, na raiz do outro.
O que aprendi com meu pai?
Que para amar concretamente é preciso se esvaziar, perder a si mesmo para dar espaço ao outro, para valorizar o outro. Pois “na raiz do amor está Deus”, pois” Deus é amor e vive no homem como amor”.
Painho, eu te amo imensamente e te sou grata, imensamente grata. Amá-lo me fez aprender que cada pessoa tem uma bagagem - uma história - e ir em profundidade nela nos abre o coração para misericórdia, o perdão, o amor e a compaixão.
Obrigada por cada ato de amor seu, por cada morte do seu eu, por cada perda sua, por cada recomeço seu, por cada esforço da sua alma, por cada momento, pela sua eterna doação e generosidade. O meu imenso amor por Deus, também é reflexo do seu papel como pai em nossa família.
Amo você, obrigada, obrigada, obrigada!

Feliz dia dos Pais, porque dias dos pais é dia de celebrar a gratidão!

Unidos pelo amor,
Maria Amelia Aguiar.



Comentários

  1. O que aprendi com meu pai?
    Que para amar concretamente é preciso se esvaziar, perder a si mesmo para dar espaço ao outro, para valorizar o outro. Pois “na raiz do amor está Deus”, pois” Deus é amor e vive no homem como amor”.

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